terça-feira, 1 de novembro de 2016

Paciente terminal e equipe interdisciplinar

Psicologia hospitalar - paciente terminal e equipe
interdisciplinar©




Para falarmos em paciente terminal e equipe interdisciplinar temos que ter em conta a importância da prevenção dos graves efeitos psicológicos, sociais e físicos da hospitalização e da patologia, incidentes tanto nos pacientes como em suas famílias.

Mas, iniciemos nossa exposição definindo o que é paciente terminal e o que é equipe interdisciplinar.

O paciente terminal é aquele paciente que está em fase terminal de uma doença, onde o esperado passa a ser óbito, independentemente da terapêutica utilizada, sendo esta neste momento mais paliativa e não tendo a expectativa de cura.

A equipe interdisciplinar é aquela equipe envolvida nos esforços para se tratar com dignidade o paciente, considerando-o nos seus aspectos biológicos, sociais, psicológicos e espirituais. "A interdisciplinaridade deve ir além da mera justaposição de disciplinas"(7). "O conceito de interdisciplinaridade fica mais claro quando se considera o fato trivial de que todo conhecimento mantém um diálogo permanente com outros conhecimentos, que pode ser de questionamento, de confirmação, de complementação, de negação, de ampliação, de iluminação de aspectos não distinguidos"(7). "Na equipe interdisciplinar há um encontro e cooperação entre duas ou mais disciplinas"(8).

Gostaria ainda de definir transdisciplinaridade, tomando emprestada a definição de Fernando Hernandez (3): "A transdisciplinaridade se caracteriza pela definição de um fenômeno de pesquisa que requer: a) a formulação explícita de uma terminologia compartilhada por várias disciplinas e b) uma metodologia compartilhada que transcende as tradições de campos de estudo que tenham sido concebidos de maneira fechada. A transdisciplinaridade representa uma concepção da pesquisa baseada num marco de compreensão novo e compartilhado por várias disciplinas, que vem acompanhado por uma interpretação recíproca das epistemologias disciplinaras. A cooperação, nesse caso, dirige-se para a resolução de problemas e se cria a transdisciplinaridade pela construção de um novo modelo de aproximação da realidade do fenômeno que é objeto de estudo."

Voltemos ao nosso tema e deixemos as definições a cargo somente do alinhavar dos atendimentos prestados ao paciente terminal.

Quando atendemos ao paciente terminal é de fundamental importância que toda a equipe esteja bastante familiarizada com os estágios pelos quais ele passa, lembrando que podem se intercalar e repetir durante todo o processo da doença, descritos por E. Kübler Ross, em seu livro Sobre a Morte e o Morrer (4) e que permitem uma visão real da complexidade vivida pelo paciente diante da sua terminalidade e do morrer. São eles: a negação e o isolamento, a raiva (revolta), a barganha, a depressão e a aceitação, complementando-se com a esperança, que persiste em todos estes estágios e que é o que conduz o paciente a suportar sua dor. "Quando um paciente não dá mais sinal de esperança. Geralmente é prenúncio de morte iminente."

A negação é mais frequente no início da doença. É quando o paciente nega a sua doença e a gravidade do seu estado. Recusa-se a falar da doença e tende ao isolamento. "A negação funciona como um para-choque depois de notícias inesperadas e chocantes, deixando que o paciente se recupere com o tempo, mobilizando outras medidas menos radicais".

No estágio da raiva, da revolta, o paciente se pergunta: "Por que eu?", "Por que comigo?" "Durante este estágio faz exigências, reclama, critica o seu atendimento e solicita atenção contínua. Se for respeitado e compreendido. Logo cessarão suas exigências, pois será assistido sem necessidade de explosões temperamentais. Ressaltamos a importância de tolerarmos a raiva, racional ou não, do paciente. Temos que ouvi-lo a até, às vezes, suportar alguma raiva irracional, sabendo que o alívio proveniente do fato de tê-la externado contribuirá para melhor aceitar as horas finais".
Na barganha o paciente tenta negociar geralmente com Deus. "Quase sempre almeja um prolongamento de vida ou deseja alguns dias sem dor ou sem males físicos". Faz promessas. Promessas que geralmente não cumpre.

A depressão aparece "quando o paciente não pode mais negar sua doença, quando é forçado a submeter-se a mais uma cirurgia ou hospitalização, quando começa a apresentar novos sintomas e tornar-se mais debilitado e mais magro, não pode mais esconder a doença. Seu alheamento ou estoicismo, sua revolta e raiva cederão lugar a um sentimento de grande perda".

E a aceitação é quando não mais sente depressão e nem raiva. É o momento em que encontra paz e aceita o que está acontecendo. Os momentos de silêncio são maiores e seus interesses diminuem. Neste momento é a família que mais precisa de ajuda.

De posse do conhecimento destes estágios, indubitavelmente, torna-se muito mais tranquilo, para o profissional que assiste ao paciente terminal, lidar com os sentimentos e emoções que afloram, ajudando-o na compreensão e na transitoriedade dos mesmos, bem como respeitar cada momento vivido pelo paciente, sem julgá-lo e sem lhe impor sua perspectiva.

Um dos membros da equipe que desconheça estes estágios poderá incorrer em erros que repercutirão em todo o processo do paciente, interferindo nos trabalhos dos outros profissionais.

Por exemplo, se a enfermeira não sabe que a raiva projetada nela, pelo paciente, é apenas a manifestação de um sentimento esperado e compreendido, e reage a ela com aspereza, poderá contribuir para que o paciente se sinta culpado pelo seu estado, levando-o a um quadro depressivo, prejudicial para os seus esforços de melhora. Assim, mais esforço será exigido, por exemplo, da fonoaudióloga, que deverá mostrar-lhe a importância da sua contribuição no tratamento; a psicóloga terá mais um elemento de terapia, que poderia ser evitado, deixando o espaço psicoterapêutico para outras questões mais emergenciais.

No entanto, "compartilhar experiências com profissionais de outras disciplinas exige esforço de admitir os próprios limites, superar a cota pessoal de egocentrismo e reconhecer a necessidade de superar os obstáculos insolúveis derivados da própria prática."(8)

A terminalidade equivale a estar próximo do óbito e como os profissionais de saúde vão lidar com isto? Vale a pena continuar atendendo a este paciente, quando poderia estar se dedicando a outro paciente com um prognóstico melhor? Como lidar com os sentimentos do paciente? Como ver o paciente morrendo sem "nada" poder fazer? Melhor não se envolver com o paciente e até abandoná-lo emocionalmente para não sofrer?

Neste momento é importante que se tenha consciência dos estágios pelos quais passa um paciente terminal, citados anteriormente, para ajudá-lo a superá-los e para se ajudar e não tomar para si o que pode ser bastante transferencial. Conhecer os problemas (biopsicossociais) implicados no processo do adoecer e morrer, para ajudá-lo a se sentir melhor e ter um resto de vida digna. Não desistir do tratamento do paciente. O paciente pode desistir, mas os profissionais de saúde não. Quando o paciente se sente abandonado à própria sorte, sem assistência, ele se entrega e desiste também, antecipando sua própria morte. "Para o paciente é reconfortante sentir que não foi esquecido quando nada mais pode ser feito por ele. É gratificante inclusive para o visitante, pois isto vem mostrar que a morte não é uma coisa horrível, medonha, que tantos querem evitar". (4)

Temos, então, inúmeras razões para se trabalhar em equipe:

1. Os saberes são inacabados e incompletos. (2)

2. A transcendência dos limites de cada saber.

3. A "interdependência das disciplinas, onde cada âmbito do saber implica os demais". (2)

4. O paciente é biológico, social, psicológico e espiritual, de maneira única e indivisível, devendo ser tratado em todas estas esferas. Porque a desorganização em uma delas provoca alteração em todas as outras.

5. Necessidade das reuniões em equipe, onde se põem em questão as relações pessoais, profissionais, as condutas, as convicções etc., adaptando-se a uma melhor maneira de se tratar o paciente.

6. Elaboração da angústia gerada pela possibilidade da morte. Onde as pessoas têm o espaço para elaborarem a morte enquanto condição pertinente à vida. Assim sentem que a relação com o paciente terminal deixa de ser ameaçadora e se faz possível que se acompanhe de fato e de perto a evolução total do mesmo, sem o sentimento de onipotência tão frequentemente ameaçado.

7. Reconhecimento dos problemas graves gerados pelos procedimentos técnicos. Por exemplo, a necessidade de extirpar um tumor de boca que deforme o paciente, deixando-o psicologicamente deprimido e fazendo que se afaste de tudo e de todos, rendendo-se à enfermidade. A cirurgia pode ser um sucesso tecnicamente, mas um desastre psicológico.

8. Eleição pelo paciente de um dos membros da equipe como objeto de transferência. (5)

9. A morte vista como tabu na nossa cultura. Porque a morte é ainda vista como algo terrível e temível e precisamos de ajuda para superarmos os "passamentos" dos nossos pacientes.

10. O significado e o re-significar da morte. Porque podemos assim descobrir outros significados da morte.

Citemos ainda Ana Garcia (6) que diz que a morte pode ser considerada: "1) a iniciação de um novo ciclo de vida para as doutrinas que admitem a imortalidade da alma; 2) como finalização de um ciclo de vida; 3) como possibilidade existencial".

Estar atento ao processo da doença e do adoecer em toda sua complexidade exige muito mais do que um aprendizado acadêmico, exige um dever ético e humano de todos aqueles que um dia cuidam daqueles que carecem da nossa assistência.

Referências:
1. ALAMY, Susana. A morte no contexto hospitalar. 1999.

2. BOCHATAY, Laura, BRONDINO, Alberto, FLICHTENTREI, Daniel. El abordaje transdisciplinario de la enfermedad cardiovascular. Tatuajes n. 4. wysiwyg://texto.89/http://www.psiconet.com/tatuajes/tatuajes4/cardio.htm.

3. HERNANDEZ, Fernando. Transgressão e mudança na educação. Porto Alegre, ArtMed, 1998.

4. KÜBLER ROSS, Elizabeth. Sobre a morte e o morrer. São Paulo, Martins Fontes, 1998.

5. LAMBERT, Anamaría da Costa. Um analista na equipe de saúde. Fort-Da Revista de Psicoanális com Niños. wysiwyg://der.39/http://www.psiconet.com/fort-da/fort-da4/analista.htm.

6. MAC DOUGALL, Ana García. El câncer y la psicooncologia. http://www.psicooncologia.org/articulosp/articulos_p_detalle.cfm?Art_ID=17

7. Parecer n. CEB15/98 da Lei de Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio.

8. ROMANO, Esther. Contexto interdisciplinario ante uma denuncia de abuso sexual. Intersección de los discursos psicoanalíticos, jurídico y valorativo. Fort-Da Revista de Psicoanálisis com Niños. wysiwyg://der.39/http://www.psiconet.com/fort-da/fort-da4/contexto.htm.

Créditos da imagem: Susana Alamy

Susana Alamy
Psicóloga Clínica e Hospitalar
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Texto reproduzido de Alamy, Susana: Ensaios de Psicologia Hospitalar: a ausculta da alma. BH, s.ed., 2003.

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segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Amor faz parte do tratamento

AMOR FAZ PARTE DO TRATAMENTO



Nunca concordei em deixar meus bichos internados. Eles são apegados à gente, nos reconhecem e nos esperam com ansiedade quando nos ausentamos.

Em nossos momentos mais difíceis, lá estão eles, cheios de amor para nos dar. Fazem-nos companhia quando estamos tristes e quando estamos alegres. Acarinham-nos ainda mais quando estamos chateados.

São sensíveis a qualquer coisa e pressentem o futuro. Ficam tristes e alegres, têm sentimentos puros e são capazes de tudo para nos agradar e proteger.

Quando adoecem e precisam de procedimentos mais invasivos, as clínicas os internam, colocam-nos longe de nós e muitas vezes em acomodações impróprias. Já vi clínicas com gaiolinhas muito pequenas e em lugares escuros e pouco ventilados. Já vi clínicas com gaiolas maiores, mas sem sol, sem acomodação para seus donos ficarem com eles, mesmo em horários de visita. Já vi clínicas com espaço maiores, tipo um pequeno quarto com janela para ver do lado de fora, bancos de concreto para subir e descer. Já vi clínicas com acomodações de gaiolas empilhadas, como se fossem algum material estocado. Já vi clínicas com gaiolas no tempo, sem proteção e sujas.

Nunca concordei em deixar meus bichos internados. Amor faz parte do tratamento e não há quem cuide melhor dos meus bichos do que eu mesma. Eles são a minha família e os meus amores. Quem tem bicho sabe do que estou falando. E gostamos mais deles do que de qualquer coisa na vida. São nossos eternos bebês. Aliás, se forem gatos são bebês eternos, dengosos; se forem cachorrinhos são crianças pequenas, pulantes e felizes.

Aí chega aquele dia fatídico, onde ficaremos com o coração na mão, quando adoecem e precisam fazer alguma cirurgia. Entregá-los a profissionais que conhecemos e confiamos não os deixa mais confortáveis, pois para eles são estranhos e não há tempo nem para adaptação.

Recentemente minha gatinha precisou de uma cirurgia e para minha surpresa eu deveria permanecer no hospital veterinário todo o tempo. A sedação seria feita pelo anestesista com ela no meu colo e só então seria levada para ser anestesiada e operada. Eu deveria continuar ali, na sala confortável que dava acesso ao bloco cirúrgico, esperando que voltasse. Durante a cirurgia vieram me informar que tudo corria bem, que ainda não tinham terminado, mas que tudo estava bem. Depois vieram me perguntar se poderiam colocar uma sonda para alimentação e medicamentos. Com o que concordei. E ao terminar a cirurgia imediatamente a trouxeram para o meu colo. Ali deveria permanecer: abraçada e quentinha no meu colo até que acordasse da anestesia. E veterinários vinham todo o tempo para ver como ela estava. Uma equipe de veterinários atenciosos e preocupados com meu bichinho.

A cirurgia teve um tempo emocional de anos. Como é duro permanecer ali na expectativa de que dê tudo certo, sem intercorrências e sem más notícias.

Voltando da anestesia e terminando o soro poderíamos voltar para casa, para nossa casa, porto seguro, ambiente conhecido e aconchegante. Nada mais justo com aquele que carece de cuidados, de atenção e de amor. Não que estranhos para o animal não deem amor a ele, mas são estranhos para ele e não há correspondência de sentimentos entre eles. Jamais poderão substituir aqueles que convivem e se amam reciprocamente.

Cirurgias, medicamentos, alimentação adequada, assepsia, tudo faz parte do tratamento, mas, sem dúvida alguma, o mais importante de tudo é o amor. Sentir-se protegido, acolhido e amado em seu momento mais difícil o ajuda a recuperar-se, assim como acontece também com os humanos.

Susana Alamy
Psicóloga Clínica e Hospitalar
psicologiahospitalar.net.br

PS: Minha gatinha Fukinha operou com o Leonardo Maciel, do Animal Center Hospital Veterinário, em Belo Horizonte/MG.

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quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Psicologia hospitalar: uma conquista



Há 29 anos eu me formava em psicologia, profissão que eu abraçaria com paixão para o resto da minha vida. No entanto, antes mesmo da minha formatura eu já estava inserida no trabalho, tendo iniciado pelo Pronto Socorro do Hospital João XXIII e logo na sequência na Santa Casa de Belo Horizonte.

As informações sobre psicologia hospitalar eram limitadas, estávamos, eu e alguns colegas, iniciando um trabalho novo e conquistando espaço junto aos médicos. Precisávamos de teoria que subsidiasse os atendimentos. Os livros eram escassos e os poucos materiais existentes eram quase inacessíveis. Busquei conhecimento em outros estados do Brasil, onde já havia serviços de psicologia hospitalar funcionando. E fui estudar em Buenos Aires. Fundamentar a prática era crucial para um bom atendimento.

Na Santa Casa éramos voluntários, só seríamos contratados anos depois, e recebíamos estagiários. Nesta época os alunos que nos chegavam não tinham a mínima ideia do que fazer dentro de um hospital e a prática acabava por se alinhar à teoria do atendimento clínico. Fazer clínica dentro do hospital não é o melhor caminho, pois a psicologia hospitalar tem suas peculiaridades e não se confunde com a clínica. Assim, comecei a escrever textos que pudessem ajudar aos meus estagiários, trazendo a eles a teoria que fundamentaria sua prática. O resultado destes escritos foi meu livro “Ensaios de Psicologia Hospitalar: a ausculta da alma” (http://www.psicologiahospitalar.net.br/livro.html), sendo sua primeira edição de 2003.  Mas os textos também não eram suficientes e os alunos demandavam mais conhecimento. A supervisão de casos acabava por se confundir com aulas e a partir daí comecei a separar o que seria aula do que seria supervisão. O resultado também foi surpreendente, pois na intenção única de ajudar aos que estavam chegando, acabei por estruturar meu primeiro curso de psicologia hospitalar, até hoje procurado por aqueles que anseiam em aprender sobre o atendimento psicológico dentro do hospital. Outros cursos foram surgindo sempre através de demandas e hoje tenho a grata satisfação de contribuir com aqueles que buscam aperfeiçoamento em sua atuação. São cursos diversos e sempre voltados para um melhor atendimento, seja ele dentro de hospital, domiciliar ou em clínicas específicas. (http://psicologiahospitalar.net.br/)

Conquistar esse espaço trouxe não só uma satisfação pessoal como também um novo olhar para aqueles que adoeciam e precisavam se internar, ajudando-os a passar pelo sofrimento com mais qualidade de vida. Fundamentando a prática com a teoria conseguimos também contribuir nos atendimentos médicos, pois há uma escuta diferenciada para as queixas, já que em muitos casos o ganho secundário da doença impede ao paciente de alcançar uma melhora do seu quadro clínico e até mesmo a cura.

Diante desta exposição quero também chamar-lhe a atenção para as fontes de informação. Em uma época em que as informações surgem com a velocidade da luz, é importante sabermos diferenciar o que é realmente importante do que não é. Informações obtidas no google devem ser triadas e devemos ter um mínimo de informação anterior para julgar a relevância e veracidade da informação que pegamos na rede, onde qualquer um pode postar o que quiser. Os livros continuam sendo uma boa opção para estudar. O que vem a mais é complemento.

Assim como as informações obtidas na internet, cursos online sucateados e sem menção aos professores, devem ser vistos com cautela, pois o mais importante não são os certificados que conseguimos colecionar, mas sim o conhecimento que nos subsidia a prática, adquirido arduamente ao longo dos anos, ajudando-nos a ser respeitados e a conquistar espaços cada vez maiores dentro desse imenso universo que é a psicologia.

Susana Alamy
Psicóloga Clínica e Hospitalar
psicologiahospitalar.net.br

Crédito da imagem: Alamy, Susana: Ensaios de Psicologia Hospitalar: a ausculta da alma. BH, s.ed., 2003.

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segunda-feira, 17 de outubro de 2016

CTI: uma experiência ruim

CTI - UMA EXPERIÊNCIA RUIM ©


Um mal-estar súbito. Calafrios, fraqueza muscular, tremores difusos, sem controle. Deixa-se de ser dono de si mesmo neste instante, quando o corpo diverge do que se pode querer com a razão e o coração. Quando o corpo não obedece mais e se desvia do padrão de normalidade a que se está acostumado.

Vem a internação. Um hospital - da melhor qualidade, escolhido a dedo pelos familiares - onde se deve permanecer até que o médico dê a ordem da alta. Mas, é um lugar frio, impessoal, sem cores, sem quadros nas paredes, sem vida (sem vida para salvar vidas, não se compreende muito bem).

No apartamento ainda os familiares, os pertences pessoais, a vontade sendo satisfeita na medida do possível e dentro das ordens médicas, as visitas e os telefonemas. Ainda se ouve risos, vozes, conversas.

Instabilidade no quadro clínico, completa perda de poder sobre o corpo e sobre a vontade. Respostas não esperadas do corpo, do orgânico, da hemodinâmica. Toda a parafernália à disposição: tubos, oxigênio, soro, e até uma campainha para chamar a enfermagem.

Não é o bastante. Carece-se de uma atenção mais intensiva. Transferência para o Centro de Tratamento Intensivo - CTI. Passa-se a ter uma atenção mais dolorida neste momento. Dói estar só. Dói estar longe da família e dos amigos. Dói estar sem referência, sem nenhum pertence que poderia identificá-lo. Dói para o paciente e para sua família.

O paciente lá dentro, completamente protegido dos vírus, das bactérias, dos vermes, das contaminações diversas. Protegido, também, do carinho, do amor. Colocado em uma redoma fria e monótona, distante do mundo caloroso dos contatos humanos.

A família do lado de fora, a chorar (sem saber que o paciente lá dentro também chora e chora sozinho) imaginando a dor do doente e sentindo a sua própria dor.

São dores. Dores surdas, que ecoam na alma e se expressam nas lágrimas, nos batimentos cardíacos, na pulsação da tristeza. Que se fazem notar nos olhos caídos, no olhar baixo, na redução do tônus muscular.

Não. Não pode ser aquele lugar um lugar apropriado. Não pode ser aquele lugar um lugar que restaura a vontade de viver. Talvez seja apenas um lugar que sirva para aproximar a pessoa doente de Deus, porque só Ele pode permanecer ali, junto e de mãos dadas todo o tempo, a velar em silêncio o sono induzido de quem sofre.

Susana Alamy
Psicóloga Clínica e Hospitalar
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sexta-feira, 14 de outubro de 2016

6 DICAS PARA USAR O CELULAR EDUCADAMENTE


Eu tenho saudades da época em que só existia telefone fixo. Saíamos para trabalhar e estudar e estávamos inteiros no que estávamos fazendo. A atenção estava na aula ou nos colegas e interagíamos coerentemente, sem perguntas desconexas ou repetidas pela desatenção.

O trabalho rendia, porque a atenção estava voltada para ele e eventualmente quando tínhamos que esperar algum serviço chegar, aproveitávamos o ócio para descansar, falar com colegas, pensar, sonhar acordado ou até mesmo para ler algumas linhas de um livro.

Os professores não ficavam preocupados em ver despistadamente seus celulares em cima da mesa. E nem os alunos deixavam de prestar atenção às aulas e o aprendizado era, sem dúvida, de melhor qualidade.

Mas, o pior disso tudo é que não há atenção que se baste para se dividir entre duas tarefas e o que acontece é que as informações chegam sempre fragmentadas para a pessoa. E a pessoa acaba por não estar inteira em nada.

Por que ficar teclando com amigos que estão ausentes ao invés de falarem com os que estão presentes? E assim sempre falando com quem está ausente e nunca com quem está presente?

Fico pensando por que a ausência é sempre mais importante do que a presença.

E ainda nem estou falando do quanto é deselegante, para não dizer mal educado, o uso inapropriado do celular quando se está assistindo uma palestra, uma aula ou quando em uma roda de amigos. Em cinemas... aquela luz forte meio à escuridão, incomodando a todos os que estão assistindo ao filme. E sentado à mesa na hora do almoço? Poxa!

Então vão algumas dicas para usar educadamente o celular:

1. Não use o celular enquanto estiver assistindo uma palestra ou uma aula, porque todo mundo observa e você será visto como alguém desinteressado que deveria estar em outro lugar e não ali. Além de você ser desrespeitoso com quem está falando.

2. Se você vai ao cinema, aprecie o filme. Deixe para ver suas mensagens quando o filme terminar. No escuro a claridade provocada pelo celular multiplica-se e incomoda muita gente. A luz é tão forte que às vezes é usada em shows como pisca-piscas para reverenciar alguma celebridade.

3. Jamais leve o celular para a mesa de refeições. Aproveite este momento para conversar com a família, contar casos e rir com todos. Sem contar que antes de sentarmos à mesa lavamos as mãos e o celular é sujo.

4. Se precisar atender ao celular, primeiro peça desculpas para a pessoa que está com você, em seguida peça licença e retire-se para um lugar mais reservado. E fale baixo! Ninguém tem interesse em ouvir sua conversa.

5. Lembre-se que seu celular não é parte do seu corpo, você pode muito bem usá-lo somente quando estiver sozinho.

6. Tenha bom senso e não espere placas de “proibido usar o celular” para saber que deve desligá-lo ou colocá-lo no silencioso.

Susana Alamy
psicologiahospitalar.net.br

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domingo, 9 de outubro de 2016

10 dicas para dar uma má notícia

10 DICAS PARA DAR UMA MÁ NOTÍCIA


1. Considere que na sua frente está uma pessoa que tem sentimentos e emoções.
2. Lembre-se que uma má notícia provoca impacto e sentimentos internos que geram sofrimento.
3. Observe o que a pessoa está preparada para ouvir e até onde ela quer ouvir. Seja complacente.
4. Inicie a conversa demonstrando empatia e respeito.
5. Faça pausas em suas falas para que o outro tenha tempo de processar o que está ouvindo.
6. Não imponha a maneira que você espera que a pessoa reaja.
7. Não provoque sofrimentos desnecessários ao dar a má notícia.
8. Esteja consciente dos seus próprios limites, elaborando-os, para que não se perca no que deve e na forma com que deve falar.
9. Nunca dê falsas esperanças.
10. Dê suporte emocional a quem recebe a má notícia.

Susana Alamy
Psicóloga Clínica e Hospitalar,
Psicoterapeuta, Docente Livre
psicologiahospitalar.net.br

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terça-feira, 4 de outubro de 2016

10 REGRAS DE OURO PARA VOCÊ ATENDER BEM SEU PACIENTE

10 REGRAS DE OURO PARA VOCÊ ATENDER BEM SEU PACIENTE

para todos os profissionais de saúde


1. Ame sua profissão.
2. Seja empático e simpático.
3. Seja educado e gentil.
4. Nunca fale antes de ouvir o que seu paciente tem a dizer.
5. Escute com atenção o que o paciente fala, valorizando suas queixas.
6. Seja humilde e considere que na sua frente tem alguém como você.
7. Utilize vocabulário que seja acessível e compreensível pelo paciente.
8. Explique e verifique se o paciente entendeu o que foi dito pedindo-lhe um feedback.
9. Seja afetuoso de verdade.
10. Importe-se com seu paciente e dê-lhe o melhor de você.

Susana Alamy
psicologiahospitalar.net.br


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10 regras de ouro para você atender bem seu paciente

10 REGRAS DE OURO PARA VOCÊ ATENDER BEM SEU PACIENTE

para todos os profissionais de saúde


1. Ame sua profissão.
2. Seja empático e simpático.
3. Seja educado e gentil.
4. Nunca fale antes de ouvir o que seu paciente tem a dizer.
5. Escute com atenção o que o paciente fala, valorizando suas queixas.
6. Seja humilde e considere que na sua frente tem alguém como você.
7. Utilize vocabulário que seja acessível e compreensível pelo paciente.
8. Explique e verifique se o paciente entendeu o que foi dito pedindo-lhe um feedback.
9. Seja afetuoso de verdade.
10. Importe-se com seu paciente e dê-lhe o melhor de você.

Susana Alamy
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quarta-feira, 28 de setembro de 2016

IDENTIDADE DO PSICÓLOGO NO MEIO HOSPITALAR


IDENTIDADE DO PSICÓLOGO NO MEIO HOSPITALAR© (*)


                                                                                                                                         SUSANA ALAMY
Psicóloga Clínica e Hospitalar


Quando falamos em identidade do psicólogo no meio hospitalar devemos ter em conta algumas considerações, como a inserção do psicólogo na instituição e sua atuação nas clínicas.


I. INSERÇÃO DO PSICÓLOGO NO MEIO HOSPITALAR

A inserção do psicólogo no meio hospitalar se deve a resistências por parte da instituição, dos médicos e dos próprios pacientes, suscitadas por:

ü  medo da subjetividade suscitada, trazida à tona pelo psicólogo. Medo da leitura do não-dito, que permeia muitas das relações, pondo em jogo as verdades;

ü  onipotência do médico - que detém o discurso do saber;

ü  onipotência do psicólogo - que em sua leitura própria do sujeito encontra todas as respostas, “psicologizando” todas as manifestações orgânicas;

ü  diversidades de técnicas de atendimento psicológico (que variam de acordo com as necessidades do paciente e princípios do psicoterapeuta, indo desde uma escuta analítica até uma intervenção direta e auxiliar como relaxamento);

ü  vulgarização da psicologia pelos próprios profissionais (quando os profissionais de psicologia trazem respostas prontas e simplistas, colocando em dúvida a veracidade das mesmas).

                                                                                                                               
A necessidade de se ter o psicólogo na instituição hospitalar é reconhecida quando:

ü  apenas os fatores anatômicos, físicos e químicos não são suficientes para justificar e tratar determinadas patologias;

ü  são reconhecidos os fatores inconscientes atuantes em diversas patologias, como nas doenças psicossomáticas;

ü  através da psicoterapia é possível ao paciente trazer à tona a causa dos seus sofrimentos, possibilitando ao mesmo elaborá-los;

ü  há o reconhecimento do conceito de saúde emitido pela O.M.S. (Organização Mundial de Saúde): “Saúde é o total bem-estar biopsicossocial do homem e não somente a ausência da doença”.

ü  os resultados práticos do atendimento psicológico repercutem na alta hospitalar do paciente. Como exemplo, podemos pensar no paciente deprimido e no que não está deprimido. O paciente não deprimido responderá melhor e mais eficientemente ao tratamento médico;

ü  há diminuição de ansiedades pré-cirúrgicas possibilitando ao médico melhor comunicação com o paciente;

ü  o sujeito doente sofre desequilíbrio em uma das instâncias bio-psico-social e através da psicoterapia é possível restabelecer seu equilíbrio anteriormente existente. Quando falamos de psicologia hospitalar, falamos do atendimento prestado àquele paciente que tem como “foco” a causa da sua internação, da sua doença, portanto motivo este do atendimento.


II. ATUAÇÃO DA PSICOLOGIA NAS CLÍNICAS

A atuação da psicologia nas clínicas se faz considerando a especificidade de cada uma delas e de seus pacientes, onde temos sempre em conta a “simbologia dos órgãos” afetados, dos órgãos doentes. Um paciente cardíaco terá fantasias relacionadas à importância do coração, aos mitos referentes a este.

A atuação pode se dar em ambulatório, enfermaria, CTI e apartamento, onde a reação do paciente frente a estes lugares se dará de modo específico e singular. Com certeza um CTI amedronta muito mais a um paciente do que um apartamento. Não podemos desconsiderar as fantasias suscitadas em cada um destes lugares. Podendo o paciente ser trabalhado individualmente ou em grupo, em situações de cirurgia (psicoprofilaxia cirúrgica ou somente em preparação psicológica para cirurgia), tratamento clínico da doença e/ou hospitalização - situação em que por si mesma é geradora de ansiedades e angustias, de stress, podendo desencadear problemas psicoafetivos.

Na nossa atuação objetivamos:

ü  o processamento de informações, ou seja, a forma como o paciente está processando as informações trazidas pelos médicos, pela enfermagem, pelos familiares, etc.;

ü  a elaboração da situação vivenciada pelo paciente, trabalhando-o nos níveis psicodinâmicos (inconsciente e consciente), observando sua compreensão e insight do que se passa, observando seus limites;

ü  a diminuição dos medos básicos, da ansiedade e da angústia em níveis tolerados pelo paciente - quando se trata de situações de cirurgia ou não. Muitas vezes o stress provocado por uma doença poderá ser o momento oportuno de reflexões para o paciente, sendo, então, positivo;

ü  evitar que as “intervenções técnicas” (as cirurgias e os exames complementares) possam dar lugar a uma organização de características psicopatológicas na personalidade do paciente, quando começam a aparecer sintomas que estavam ocultos e não remetem à clínica, aos sintomas clínicos em questão;

ü  priorizar ou relativizar as dificuldades do paciente. Um paciente que irá se submeter a uma cirurgia poderá estar ansioso por medo da anestesia, da morte etc., cabe ao psicólogo escutar e analisar sua demanda mais imediata.

Atuando de forma interagida e dinâmica junto ao médico, obteremos melhores resultados no tratamento, porque assim estaremos objetivando a melhora do paciente enquanto um todo.
                                                                                                                                                              É importante que o psicólogo esteja atento à sua onipotência e ter capacidade de trabalhar conjunta e interagidamente com o médico, bem como com toda a equipe de saúde. Trabalhar conjuntamente implica em respeitar a ciência de cada um e seus limites e ter espaço para serem colocadas todas as opiniões, divergências, para que se possa chegar a um denominador comum em relação ao paciente.

A atuação conjunta com o médico é muito rica quando possibilita ao paciente ser atendido em seus aspectos subjetivos e concretos, sem que seja fragmentada por cada profissional, oferecendo a ele também uma outra escuta para seus sofrimentos.

Muitas vezes, por desconhecimento de outros profissionais da saúde e da própria instituição, o psicólogo é confundido com o assistente social, terapeuta ocupacional (quando atendendo crianças) e outros. Neste momento é importante demarcar o seu lugar, esclarecendo as dúvidas que originaram tal concepção errônea. É um dos momentos oportunos para o psicólogo falar do seu trabalho e o tornar claro aos outros.

Lembrando que sempre cabem as reflexões sobre as demandas existentes, se são elas dos médicos, do paciente, etc.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

- ALAMY, Susana. Introdução à Psicologia Hospitalar. revista Insight Psicoterapia, ano II, no. 18, maio/1992.

- ALAMY, Susana. Considerações sobre Psicoprofilaxia Cirúrgica em Hospital geral.
Texto apresentado no “Seminário de psicologia Hospitalar”, Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte/MG, 18/fev/1993.

- ALAMY, Susana. Aspectos Biopsicossociais da Cefaléia Tensional. Conferência realizada em 23/ago/1993 no “V Encontro Nacional dos Psicólogos da Área Hospitalar”, Rio Quente/Goiás.

- ALAMY, Susana. Cefaléia Tensional: valor da psicóloga no diagnóstico e tratamento. Conferência realizada em 30/jul/1993 no “VII Congresso do Centro de Estudos da Clinica Neurológica e Neurocirúrgica da Santa Casa de Belo Horizonte”, Montes Claros/MG.

- BEZERRA SANTOS, Francisco José. A Psicanálise na Formação do Psiquiatra. A experiência da Residência Médica em Psiquiatria do Hospital de Saúde Mental de Messejana - Fortaleza - CE. Jornal Bras. Psiq. , 42(5) : 269-272, 1993.

- CLAVREUL, Jean. El Orden Médico. Argot, Barcelona, Espanha, 1983.

- FREUD, Sigmund. Uma Breve Descrição da Psicanálise. Edição Standard das Obras psicológicas Completas de Sigmund Freud. 19: 239-259.

- FREUD, Sigmund. As Resistências à Psicanálise. Edição Standard das Obras psicológicas Completas de Sigmund Freud. 19:265-275.

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(*) Conferência realizada em 30/agosto/1983 no Seminário “Na Era da Multidisciplinariedade - 1º. Intercâmbio Cultural da Santa Casa - Brasil/Bélgica - Belo Horizonte/MG”

Artigo publicado no livro “Ensaios de Psicologia Hospitalar: a ausculta da alma”, de Susana Alamy
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Site: http://psicologiahospitalar.net.br


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domingo, 18 de setembro de 2016

POR QUE SUA FALTA ME DÓI TANTO?


(Para Maria Hermínia Vasconcelos Alamy, in memoriam)

Há 3 anos em vivenciaria uma das perdas mais importantes da minha vida, apesar do gesto dialético de eu ter-lhe segurado sua mão e lhe dito para ir.

A experiência da morte já não me era nova, muito menos os sentimentos advindos desta vivência. No entanto, não há como me acostumar com este tipo de perda e cada uma delas será como se fosse única, porque são tão subjetivas quanto a minha subjetividade ao sentir.

Refaço o percurso e em cada história estamos lá. Em todas! Absolutamente em todas, porque somos a divisão somada na sintonia. Pensamos e agimos da mesma maneira e por isso os conselhos eram sempre tão solicitados. Há uma forte identificação que nos constitui como fomos desde a infância, e crescemos sonhando sonhos que nunca se realizariam, mas que nos impulsionariam à dimensão infinita das possibilidades.

Entendemos desde muito cedo que uma mão estendida pode ser o limite da depressão e superamos cada percalço real que enfrentamos, às vezes com coragem e às vezes com muito medo.

Crescemos irmãs somadas à cumplicidade encontrada nos amigos, o que nos fazia rir de tudo, inclusive do trágico. Rimos ao sobreviver a um acidente de carro, rimos de medos que sentimos, rimos da doença que nos fez chorar, rimos das nossas ações tão previsíveis, mas as mãos estavam sempre ali, estendidas e prontas a segurar, e seguraram os medos, as desesperanças e as tristezas, para subvertê-los em aprendizado. Apesar de nunca termos compreendido porque queríamos tanto aprender.

Então, por que sua falta me dói tanto? Porque dialeticamente você se foi e continua presente. Simples assim!

Susana Alamy

sábado, 20 de agosto de 2016

Cuidados Paliativos - aula 1 - Susana Alamy

Cuidados Paliativos - Aula 1 - Susana Alamy 


Nesta aula introdutória você poderá conhecer alguns conceitos básicos relacionados aos Cuidados Paliativos, como o de saúde, eutanásia, distanásia, mistanásia, suicídio assistido e ortotanásia, provocando algumas reflexões.
Reserve um tempinho e assista ao vídeo: Aula 1 Cuidados Paliativos