sexta-feira, 10 de maio de 2019

Solidão com 5 mil amigos


SOLIDÃO COM 5 MIL AMIGOS©
Por Susana Alamy*

Imagem: Pixabay

Ontem alguém se desentendeu em um grupo de WhatsApp e nas divagações alucinadas de quem briga sozinho, desabafou: “também não preciso deste grupo, eu tenho outros 22 grupos que faço parte”.

Fiquei ali de expectadora tentando entender como uma pessoa pode se relacionar satisfatoriamente em 22 grupos, com uma média de 200 participantes em cada, sendo, imagino, muitos deles voltados para a área profissional. Seriam mais ou menos 4 mil e 400 pessoas com as quais ela acredita interagir.

Sem contar os amigos do Facebook, que podem chegar facilmente a 5 mil só no perfil da pessoa, fora os grupos temáticos.

Simples e efêmero: mudo de grupo! Não faz diferença quem são os amigos. Só trocar de grupo e outros amigos estarão lá.

E aí vemos de tudo. Pessoas despejando material, chegando um seguido do outro, 30 arquivos freneticamente compartilhados de uma só vez, sem que ninguém tivesse demandado nada, lotando os celulares dos outros membros do grupo. Qual a finalidade? Sentir-se útil? Talvez. Precisaríamos perguntar. Mas fazer uma pergunta desta a quem demonstra uma boa vontade sobre-humana ao compartilhar os 300 arquivos que tem, pode gerar muita agressão.

Em outros grupos vejo pessoas discutindo técnicas de atendimentos profissionais, verdadeiras consultas gratuitas, trocando ideias e ações de como fazer. Do outro lado um estranho amigo se colocando como expert a aconselhar gentilmente o colega. Mas, ninguém sabe a formação de ninguém ali, não se conhecem e acreditam um no outro. É mais fácil assim. Abrir livro... nunca. Agradecem. Vão colocar em prática a “receita de bolo” ofertada generosamente pelo desconhecido. Socorro!!

Em outro uma desordem que qualquer libertinagem exigiria a paternidade. Ofensas, adjetivações, agressões verbais, capazes de demonstrar na prática o que é uma projeção de si mesmo. Mal-estar. Evasão do grupo. Silêncio. Melhor assistir de camarote a pessoa se enaltecer, aos gritos, de ser alguém equilibrado e capaz, subjulgando os outros. Aquela velha máxima em alta e passando despercebida: quando você aponta um dedo para alguém, outros 4 dedos voltam-se para você. Mas, o que tem? Nada. Ninguém se conhece mesmo. Ninguém sabe quem está do outro lado e nem quer saber.

Xingamentos de “imbecil e burro” lotam os posts de política. Cabo de força. Vence quem resiste mais, quem incomoda mais, quem gasta tempo escrevendo textão que ninguém vai ler, mas que vão debater pela primeira frase escrita nele. Não precisa ter conteúdo, basta dar sua opinião.

E ficam ali, conectados todo o tempo. Os olhos não saem do celular, nem mesmo quando atravessam a rua, ou se sentam para almoçar, ou quando estão em aula. E até mesmo no trabalho. Pit stop de 5 em 5 minutos para responder a uma mensagem no grupo. E já está formado o chat. Bate-papo. Nada mais intolerável em um grupo de desconhecidos. Por que não conversam no privado? Porque não tem graça, tem que ter plateia e é nesta mesma plateia que o show será dado.

A razão é sempre soberana de quem jamais se identifica, os discursos são vazios, não há fundamentação nem filosófica, nem histórica, nem nenhuma além do chavão: “mas eu acho que é assim, me respeita. Respeita a minha opinião”, sem nem ao menos se preocupar com a língua portuguesa castigada.

E o que é respeito?

Sabe-se alguma coisa sobre ética e moral que esteja além do dr. Google? Bobagem. O Google me informa de tudo e eu não preciso nem gastar minha memória, só clicar e a resposta vem.

Meu mundo. Meu tudo nas redes sociais. 5 mil amigos e você está em casa no final de semana reclamando de tédio.

Caiu a internet. Misericórrrrrrrrrrrrrdia!!! De uma lado o vazio de quem eloquente discursa para o nada. De outro a fluidez descrita por Bauman como líquida, a escorrer pelos dedos das mãos que já não sabem o que são mãos-dadas.

E os aplicativos de relacionamentos? Horas com as pontas dos dedos passando fotos, recusando ou dando like. Julgar pela aparência? Pergunte a qualquer pessoa se ela julga as pessoas pela aparência. A resposta inevitável é “não”. Mas... Ah! No aplicativo é diferente. Claro. Tudo o que justifique qualquer ação incoerente é pautado no “mas lá é diferente”. Diferente nada.

A ansiedade aumenta. Ninguém responde. Ninguém online. Mas se gaba de ter 5 mil amigos no Facebook, 2 mil seguidores no Instagram e pertencer a 22 grupos no WhatsApp.

Já não sabem mais o que é ser amigo. Desconhecem o quanto é preciso rebolar para manter uma relação, qual seja ela. Estabilidade só na internet, se ela não cair, porque nem o celular de hoje é o mais moderno e nem os amigos de hoje são os de ontem. “Fazer novas amizades” é outra máxima da atualidade. Esconde o não ter amigo nenhum? Por isso essa ansiedade grande em “conhecer gente”? E cada dia um. E cada dia mais um no face, no insta, no zap.

Solidão no meio de tanta gente. Porque não há conexão além da internet. Não são nem parecidos e nem diferentes, não dividem as angústias e nem as alegrias. Pausa! Fotos dividem. As mais lindas. As mais felizes. Vida perfeita. Vida perfeita que fica no celular. Na hora de se jogar na cama, o vazio de quem desperdiçou tempo.

E se fosse possível trocar 5 mil amigos por um presencial? Ter alguém com quem você pudesse ser você mesmo, de quem pudesse ganhar um abraço apertado e um olhar cúmplice? Ou mesmo um puxão de orelhas? Alguém com quem pudesse efetivamente manter um diálogo? Marcar um encontro, curtir um filme no cinema, dar uma volta na rua...


*SUSANA ALAMY - É psicóloga clínica e hospitalar, psicoterapeuta, professora de pós-graduação e palestrante, docente livre. É autora dos livros “Ensaios de Psicologia Hospitalar: a ausculta da alma”, “Como Viver Bem” e “Tigrinha é Adotada”. Com mais de 30 anos de profissão já ajudou inúmeras pessoas através da psicoterapia, através de seus cursos e de seus livros. E ainda pretende continuar sua jornada por muitos anos. Blog: http://alamysusana.blogspot.com/. Site: http://psicologiahospitalar.net.br/. FB: https://www.facebook.com/psicologasusanaalamy/. E-mail: alamysusana@gmail.com.

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sábado, 2 de fevereiro de 2019

Diferenças entre Psicologia Hospitalar e Psicologia Clínica


No livro "Ensaios de Psicologia Hospitalar: a ausculta da alma", Susana Alamy faz a distinção didática entre psicologia clínica e hospitalar, trazendo mais clareza para a diferenciação na prática. Reconhecer a diferença é caminhar para a excelência dos atendimentos. No entanto, a linha que separa uma da outra é sempre muito tênue e sujeita a embaraços.

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sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Retrospectiva Susana Alamy 2018



Retrospectiva Profissional 2018.
Obrigada a todos que fizeram meu ano mais leve e feliz. Que em 2019 possamos estar
juntos novamente, em novos encontros e novos projetos. Que sigamos em frente
com respeito, empatia e determinação.  Perdoem-me aqueles alunos que estiveram comigo neste ano e que não parecem no vídeo, em alguns cursos não tivemos fotos. 
Feliz Ano Novo!!

domingo, 2 de dezembro de 2018

Como Viver Bem


Neste livro Susana Alamy traz sugestões para se refletir e questionar quanto à maneira de realizar sonhos, alcançar objetivos e ser uma pessoa mais realizada e feliz. Pretende ser um livro de referência para ajudá-lo no caminho do autoconhecimento.

O propósito é ser apenas um início, que poderá culminar em um processo de psicoterapia ou análise para ajudá-lo a elaborar seus conflitos ou simplesmente ajudá-lo a se conhecer um pouco mais. Não deve ser encarado como um livro de autoajuda.

Sumário:
Introdução
Tenha objetivos
Pense nos seus fantasmas
Encontre os meios para alcançar os fins
Tenha disciplina
Seja humilde
Jamais tenha pena de si mesmo
Controle sua ansiedade. Seja paciente
Tenha lazer
Faça uma atividade física
Adore um animal de estimação
Aproxime-se de pessoas do bem e positivas
Seja feliz
Seja bom
Revela seus valores
Valorize a vida
Ame
Coloque em prática
Sobe a autora
Contatos


segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Aperfeiçoamento profissional



Seu aperfeiçoamento profissional está aqui !!
 
Aproveite os cursos com matrículas abertas para inscrever


Todos os cursos tem certificado de participação
Todos são ministrados pela professora Susana Alamy



Comunicação de Más Notícias - workshop por videoconferência
 - A sala de aula no conforto da sua casa/trabalho -

Não é simples dar uma notícia ruim. É preciso muito mais do que simplesmente comunicá-la. É preciso ter compaixão e empatia e ter a técnica adequada. Se soubermos nos comunicar adequadamente, com certeza, poderemos contribuir para não aumentarmos o sofrimento daquele que já está sofrendo.
Precisamos ter um ambiente adequado, um tom de voz que seja acolhedor, disposição para ouvir e dar feedback, e utilizar de algumas técnicas, para que a má notícia não seja mais um sofrimento na vida daquele que precisará ouvi-la.

O objetivo neste curso é preparar os alunos para dar uma notícia ruim de maneira adequada, ajudando o paciente e seus familiares na elaboração do acontecido.




Grupo de Estudos em Psicologia Hospitalar - por videoconferência

- O seu grupo de estudos no conforto da sua casa/trabalho -

Ser capaz de acompanhar a dinâmica do mundo moderno é manter-se constantemente atualizado.

A atualização profissional permite ao aluno estar em dia com os conteúdos, com o conhecimento que é seu diferencial no mercado de trabalho.

Nos grupos de estudos esta atualização permite refletir em conjunto, ampliando sua rede de contatos e de seus conhecimentos. Este trabalho em conjunto é sempre muito rico, pois oportuniza aos alunos conhecerem a realidade uns dos outros, compartilhando experiências do dia a dia e reflexões acerca de seus atendimentos, sob a orientação da coordenadora do grupo que é quem tem mais experiência e mais tempo de profissão.

Para ajudá-lo a manter-se atualizado temos o Grupo de Estudos, onde são vários temas abordados e discutidos. Seguindo uma sequência, o aluno inicia os estudos pelos Temas 1.

Temos duas turmas para você escolher: uma às 2ªs feiras e outra às 4ªs feiras.

Mande uma mensagem para psicologiahospitalar@gmail.com e comece a participar. O quanto antes iniciar sua atualização/reciclagem, mais conhecimentos você estará adquirindo.



Curso de Verão de Psicologia Hospitalar 2019 - Belo Horizonte/MG
- Há 31 anos formando psicólogos hospitalares -

Este curso é o xodó de todos. Acontece presencialmente há 31 anos em vários formatos e sempre atualizado.

É um curso profissional para quem pretende trabalhar em psicologia hospitalar ou aprimorar seus conhecimentos. É destinado a psicólogos e estudantes de psicologia. É um curso voltado para os atendimentos psicológicos (psicoterapia) dentro do hospital.

Tem como objetivo promover o aprimoramento técnico-científico do aluno e capacitá-lo para os atendimentos em Psicologia Hospitalar

Neste curso os alunos estudam sobre as possibilidades terapêuticas, sendo os atendimentos sempre voltados para os pacientes (e seus familiares), internados ou não, com as mais diversas patologias, curáveis ou incuráveis, terminais ou não, onde se objetiva a diminuição de seus sofrimentos e a sua qualidade de vida.  





Supervisão de Casos - por videoconferência
 - A sala de aula no conforto da sua casa/trabalho -

A supervisão online é uma oportunidade de fazer supervisão de onde você estiver com a profa. Susana Alamy, especialista e expert em supervisão, tendo ajudado inúmeros alunos em suas dificuldades e no aperfeiçoamento dos seus atendimentos.

Vantagens da supervisão online:
- turmas reduzidas ou supervisão individual
- sem deslocamento e trânsito
- economia de tempo e dinheiro
- acesso por computador ou celular
- encontro em sala de aula como se fosse presencial
- no conforto de sua casa ou trabalho
- plataforma americana excelente

Desvantagens: não tem

Supervisora: profa. Susana Alamy

Diferencial: supervisão com profissional expert com experiência de mais de 30 anos na área; autora do livro “ensaios de psicologia hospitalar: a ausculta da alma” (3ª. ed.); membro da Sociedade Brasileira de Psicologia Hospitalar (SBPH)

Áreas de supervisão: paciente oncológico, adultos e crianças, - paciente terminal, - cuidados paliativos, - paciente deprimido ou entristecido, - psicologia hospitalar, - elaboração de projetos de implantação de serviços de psicologia, - psicologia clínica

Mande uma mensagem para psicologiahospitalar@gmail.com falando de seu interesse na supervisão e enviaremos todos os detalhes para agendarmos um horário.

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

1º Black Friday de Psicologia Hospitalar

1º BLACK FRIDAY DE PSICOLOGIA HOSPITALAR




50% OFF 
Somente no dia 23/11/2018, de 7:00 às 23:59 horas

Em mais uma inovação de Susana Alamy, psicóloga clínica e hospitalar, livre docente, professora de cursos de pós-graduação, autora do livro "Ensaios de Psicologia Hospitalar: a ausculta da alma" (3ª ed.), vem aí o 1º Black Friday de Psicologia Hospitalar.

Você pode escolher entre os listados abaixo ou levar todos:
- Grupo de Estudos de Psicologia Hospitalar - pacote de 6 encontros (online)
- Curso Comunicação de Más Notícias - 3 horas de curso (online)
- Supervisão - pacote de 4 encontros (online)

Aproveite os 50% de desconto à vista ou parcelado em qualquer um dos cursos acima.
Informações e inscrições: psicologiahospitalar@gmail.com.

50% OFF válidos somente no dia 23 de novembro de 2018, de 7:00 às 23:59 horas.




domingo, 11 de novembro de 2018

A morte de um animal de estimação dói igual à de um familiar


A morte de um animal de estimação dói igual à de um familiar



Uma psicóloga de Rondônia escreveu no facebook a respeito desta matéria - “A Morte De Um Animal Doi Igual À De Um Familiar” (https://www.planetadosanimais.org/2018/10/a-morte-de-um-animal-de-estimacao-doi.html)- :

"não creio numa imbecilidade dessas!" (sic).

Aí fiquei pensando... será que mais psicólogos pensam igual a ela?

Então resolvi escrever esclarecendo que dentro da psicologia existe uma matéria essencial ao nosso trabalho, que talvez ela tenha faltado às aulas, que se chama LUTO NÃO RECONHECIDO. Neste trabalhamos os lutos que fogem aos padrões de perdas mais comumente aceitos desde sempre. E nosso trabalho é o de ajudar aos pacientes na elaboração dos mesmos.

O luto não reconhecido pode levar ao adoecimento, porque a sociedade pode desaprová-lo, desprezá-lo e negá-lo em sua existência.

São exemplos de lutos não reconhecidos: luto por animais, luto pela “amante”, luto pela perda de um feto, e assim todos aqueles lutos que as pessoas guardam para si, porque seriam reprovadas ou julgadas ou desprezadas em seu afeto.

Qualquer dúvida podem me chamar, estarei à disposição para atender a quem tem essa demanda e não sabe onde encontrar o apoio e o respeito devidos. @Susana Alamy @Psicóloga Susana Alamy

Susana Alamy
Psicoterapeuta, Docente Livre
psicologiahospitalar.net.br


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terça-feira, 28 de agosto de 2018

Videoconferência


POR QUE PARTICIPAR DE UMA VIDEOCONFERÊNCIA?



Uma videoconferência permite que nos conectemos de qualquer lugar do mundo. É possível ajustarmos os horários e nos falar em tempo real, o que nos facilita a conexão para cursos, grupos de estudos, palestras, mentorias, consultorias, supervisão. 


Confesso que resisti durante algum tempo, pois há 30 anos vinha ministrando cursos, grupos de estudos, palestras, mentorias, consultorias e supervisão presencialmente. O que dificultava muito a participação de interessados que estavam distantes fisicamente e que tinham dificuldades para viajar até o local do evento.

A demanda pelo aprendizado sempre crescendo e as dificuldades para se deslocarem também. Assim, resolvi ariscar-me no mundo virtual. Na verdade eu já tinha a supervisão online e uma revista virtual, a "Psicópio: revista virtual de psicologia hospitalar e da saúde", há muitos anos (desde 2000), e sabia que cursos, grupos de estudos, palestras, mentorias, consultorias e supervisão seriam um sucesso desde sua implantação. Mas eu tinha um pouco de medo, medo de que a comunicação ficasse prejudicada, que as minhas palestras não fossem tão boas quanto as presenciais e que os alunos também resistissem. No entanto, venci o medo e resolvi que teria que tentar, teria que correr o risco. E tudo foi um sucesso! 

Já temos implantados online cursos, grupos de estudos, palestras, mentorias, consultorias e supervisão e vamos que vamos facilitando a conexão e o aprendizado!! Dê uma volta no meu site e vejam o que estou oferecendo: http://psicologiahospitalar.net.br/

Sejam todos muito bem-vindos à videoconferência!! A sala de aula/reunião no conforto de sua casa!!

Susana Alamy
Psicoterapeuta, Docente Livre
psicologiahospitalar.net.br

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quarta-feira, 4 de julho de 2018

Videoconferência - cursos online post 1

Os cursos mais requisitados de psicologia hospitalar agora também por videoconferência!!

Você pode caminhar pelo mundo sem sair de casa e fazer os melhores cursos do conforto de sua casa com a psicóloga e professora Susana Alamy através de videoconferência.


Não resisto e preciso contar a todos vocês que o Grupo de Estudos em Psicologia Hospitalar por Videoconferência que começou nesta semana foi sensacional!!! É meu 3o. evento totalmente por videoconferência e com interação entre os presentes.

Eu sempre me empolgo em cada turma, seja presencial ou online, porque realmente é muito bom!! Quem conhece e já participou de algum deles comigo, sabe que é bem por aí... muito bom mesmo!! Por isso as pessoas voltam e fazem vários cursos comigo. São mais de 30 anos de estudos e experiências que compartilho com os alunos e isso é maravilhoso!! 

A experiência neste tipo de estudo, por videoconferência, me surpreendeu, é indescritível e muito rica, sem contar que você tem acesso ao conhecimento de onde você estiver, sem se deslocar, sem gastar tempo. E ainda tem o network que é muito rico. Vale a pena conferir!!! 

Já temos a demanda para as próximas turmas e já planejo as datas para os eventos abaixo:

- Grupo de estudos de psicologia hospitalar - temas 1
- Grupo de estudos de psicologia hospitalar - temas 2
- Atendimento psicológico domiciliar
- Cuidados paliativos e más notícias
- Suicídio assistido e doenças incapacitantes
- Psicossomática atual

E teremos muitos outros, fique atento para não perder nenhuma nova informação. Se preferir mande uma mensagem para o e-mail psicologiahospitalar@gmail.com dizendo do seu interesse em participar de determinados eventos, citando cada um deles, ou até mesmo sugerindo temas que você gostaria de estudar. Desta maneira quando abrirmos a turma você será o primeiro a ser comunicado.

É isso aí.. paz e bem!! O que tenho a dizer é "gratidão"!!! Que possamos nos encontrar muitas vezes.

O meu abraço afetuoso,

Susana Alamy
Psicologa Clínica e Hospitalar
Psicoterapeuta, Docente Livre


quinta-feira, 17 de maio de 2018

Será que o ser humano é mesmo um ser superior aos animais?


SERÁ QUE O SER HUMANO É MESMO 
UM SER SUPERIOR AOS ANIMAIS?


Já ouvi diversas vezes que o ser humano é superior aos animais e que estes são seres inferiores. Aí fiquei pensando... Em que seriam superiores?

Na materialidade?

Os seres humanos constroem edifícios, pontes, estradas, foguetes, automóveis, cidades e uma infinidade de concretos, que eles mesmos destroem com bombas que constroem para esta finalidade.

Os animais constroem ninhos, cavam buracos, transformam grutas, que eles mesmos conservam para sua sobrevivência e de sua espécie.

Nos relacionamentos?

Os seres humanos constroem relacionamentos autênticos, verdadeiros e fiéis, mas também relacionamentos baseados em interesses próprios para tirarem vantagem. Matam-se por orgulho, vaidade e ganância.

Os animais simplesmente se ligam a outros seres (humanos e não humanos), são autênticos, verdadeiros e fiéis, e só se matam por sobrevivência, com raras exceções.

Nos sentimentos?

Os seres humanos sentem amor e ódio, raiva e rancor, inveja, compaixão, solidariedade, medo, revolta e tantos outros sentimentos.

Os animais sentem amor, não sentem ódio, não sentem raiva e nem rancor, não têm inveja, têm compaixão e são solidários, têm medo, jamais revolta.

Na linguagem?

A linguagem dos seres humanos perpassa a palavra e o não dito, ganha forma no inconsciente e se traduz em símbolos a serem decodificados.

A linguagem dos animais perpassa e repassa no coração, ganha forma no olhar carinhoso ou amedrontado e é decodificada no amor.

E assim uma infinita lista poderia ter sua parte escrita aqui, numa vã tentativa de igualá-los, quando na verdade são inigualáveis.

Jamais os animais terão necessidade de se auto afirmarem inferiorizando o ser humano, mesmo que o sinta como carrasco, aquele que é capaz de maltratá-lo, de judiar, de usá-lo sexualmente (zoofilia). Alguém já ouviu falar em humanofilia? Mesmo que o ser humano o abandone às ruas quando está doente, ou quando não passou de um brinquedo que se descarta, ou que seja espancado porque utilizou de sua “fala” (latido, miado, gruindo e etc.) para se expressar. Ou quando teve suas unhas, parte de seu corpo insubstituível, arrancadas para não estruir o bem material substituível chamado sofá. Ou o rabo cortado, parte de seu corpo, porque o humano acha mais bonito cortado (questão de gosto ou mau gosto?). Ou quando teve seus olhos furados, parte de seu corpo, por maldade e covardia, (caráter) do ser humano. Ou quando ficou amarrado no fundo do quintal, sozinho, com frio e com fome, porque não foi visto como um ser que sente e sofre, mas como uma arma contra invasores daquele terreno. Ou quando foi espancado, jogado, arremessado contra muros, automóveis e chão pelo ser superior em força bruta, porque este estava irritado e descontrolado. Ou quando foi deixado para trás em uma mudança, porque no novo lar não o cabia. Ou quando foi adquirido para ser matriz de investimentos altos do humano, em venda de seus filhotes arrancados sem compaixão da mãezinha que os amamentava, para serem vendidos no comércio por aquele ser inteligente, o suficiente, capaz de fazê-lo e tratá-lo como matéria-prima. Ou quando foi deixado na chuva dentro de uma sacola plástica amarrada, porque não era querido no espaço que ocupava antes. Ou quando foi cruelmente usado como transporte de cargas até cair ao chão por exaustão, porque era só um meio de poupar o esforço do humano. Ou quando foi proibido de entrar em restaurantes, onde na cozinha se encontram coliformes fecais nas mãos dos cozinheiros, para não contaminarem os alimentos. Ou quando ainda foram reverenciados com o rótulo de terem a nobre função de se tornarem churrascos, para matar a vontade de carne de humanos carnívoros... Nunca perderam o olhar terno dirigido ao seu opressor.

E são eles os seres inferiores? Justo eles que só nos trazem alegrias ao coração e cor aos nossos olhos? Que são companhias fiéis e guardiães de nossos sonos? Que nos recebem felizes por termos retornado e adoecem, e morrem, quando não nos veem mais?

Justo eles que são capazes de se jogar na frente de seu humano amado para defendê-lo de um bandido ou de uma ameaça?

Justo eles que têm o amor mais genuíno?

Talvez o conceito de superioridade devesse ser revisto quanto aos critérios cognitivos das funções cerebrais para dar lugar aos critérios sentimentais das mesmas funções cerebrais.

É isso.

O meu abraço mais fraterno a todos os seres “inferiores” da cadeia existencial.

Susana Alamy
Psicóloga Clínica e Hospitalar,
Psicoterapeuta, Docente Livre

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quinta-feira, 22 de março de 2018

A dor é individual


A DOR É INDIVIDUAL




... E eu fiquei pensando sobre esse mundo em que vivemos... Tumultuado, corrido, sem tempo. Rostos estranhos se entrecruzando nas ruas, nos shoppings, aeroportos, sem se verem, sem serem, mesmo que remotamente, comparados a outros rostos semelhantes.

Quantas lágrimas há derramado o senhor Josué que vai ali na minha frente e que nem mesmo pude observar-lhe os gestos? Quanta dor sentiu Maria quando perdeu alguém que lhe era esteio e alegria? E a Vanessa? E ali se vão Josués, Marias e Vanessas... Ah! Josués, Marias e Vanessas!!

Quem é Josué? Homem de fibra, trabalhador, prestativo, honesto e querido. Construiu histórias, demonstrou seus valores com seus próprios exemplos, ajudou quem precisava e brigou. Brigou pelos seus objetivos, pelo mundo, um mundo melhor. Josué queria um mundo melhor. Ah! Josué!! Estava rodeado de gente que veio apoiar-lhe, estender-lhe o abraço puxado por aquelas mãos que jamais empurraram. Estavam todos ali, um de cada vez a prestar-lhe a solidariedade que tanto queremos quando algo ruim nos acontece. E Josué, comovido, retribuía cada carinho.

Maria sentia dor. Não conseguia precisar se era uma dor física ou uma dor emocional. Tamanha era sua dor que as dores se embaralhavam neste ser único e indivisível chamado Maria. Recolhia-se ao seu pranto como quem se recolhe ao adormecer: sozinha, partida, calada. Lembrou-se de cada minuto. Recordou-se de cada um que a abraçara na tentativa de salvar-lhe, ao menos um pouco, de sua dor doída. Sentiu cada cheiro que translúcido a reportava ao passado.

E Vanessa? Vanessa assistia televisão. Ria e chorava do que ali assistia, projetando-se em cada personagem fictício que traz à tona cada um de nós, como se o autor da obra tivesse se espelhado nela. Reconhecia-se a partir do cenário e viajava de uma ponta a outra na estrada da fantasia. Seus sonhos estavam ali... partidos e reinventados por alguém tão estranho e tão familiar.

E eu fiquei pensando... Cada uma daquelas milhares de pessoas pelas quais passamos diariamente, seja na rua, seja nas redes sociais ou em qualquer lugar, carrega uma história que determinou seu modo de agir e de ser meio a tantas outras histórias.

Ah! E aquele Josué brigão? Aquele que se levanta da cama disposto a discutir até mesmo com sua própria imagem refletida no espelho. Aquele Josué chato, dos grupos de WhatsApp, que só clica para gerar polêmica ou discordar do que seja? Postaram. Comentou, Josué. Fala qualquer merda e não se importa nem com o que fala e nem com o que retrucam. Quer mesmo falar e nem precisa ser escutado, porque a escuta que precisa é a de si mesmo, mas para esta não está preparado. E essa, minha gente, como é difícil!! Sente-se muito feliz por ver que retrucam, sente-se importante, pois pelo menos alguém está falando com ele. Buzina na rua, xinga o trocador do ônibus, fecha cara para a atendente da padaria e desafia qualquer pessoa que esteja em condição supostamente melhor que a sua. Respeito? Jamais. Desconhece o que seja respeito. Nunca ouviu falar. Jamais seus pais lhe disseram que era para se colocar no lugar do outro para saber o que deveria ou não lhe dizer. Não aprendeu o que é compaixão. Não se importa com ninguém, pois aprendeu em todas as mídias, e, diga-se de passagem, que, em casa também, que deve se amar em primeiro lugar, que ele é o príncipe da titia e da vovó, que reina diante do papai e da mamãe que se mataram para sustentá-lo. Ele entendeu ao pé da letra que deve se amar em primeiro lugar. Não foi capaz de perceber a metáfora. Não foi capaz de compreender a importância do outro sem o qual jamais se reconheceria enquanto Josué. Ah! Josué!!

E a Maria que saiu cedo de casa? Levantou-se às 5 horas da manhã, tomou um gole de café. Vestiu-se e saiu. Pegou o ônibus, depois o metrô. E ainda faria uma pequena caminhada até o local de trabalho. Encontrou um Josué à sua frente. Não entendeu nada, mas ficou chateada. Foi empurrada e xingada quando saía do metrô, por alguém que jamais viu. Não respondeu e Josué continuou andando e olhando para trás em tom desafiador. Queria brigar. Maria estava errada a seus olhos, não deveria ter saído antes dele do metrô, porque ele estava com pressa. E ela tinha que adivinhar. Ela tinha que ter percebido de alguma maneira que ele era muito mais importante do que ela. Assim pensava ele empoderado, seguro de si, amando-se em primeiro lugar. Tão obcecado por si mesmo que jamais conseguiu assumir qualquer responsabilidade pelos seus atos. A responsabilidade era do outro. Sempre do outro. Responsabilidade carregada de culpa do outro. Porque entendia que seus atos eram sempre uma resposta ao outro e nunca o inverso. Falava mal das pessoas, julgava e condenava. Era o carrasco. Carrasco de si mesmo condenando-se a um vazio crescente que desembocava em uma solidão jamais percebida. E esperneava querendo chamar a atenção.

Vanessa seguia seu caminho. Sempre simpática e alegre. Sofrida de pai e mãe mercadores de sonhos, precisava se haver com o mundo real. Dava golpes na sua própria imaginação que tentava seduzi-la. À noite conversava com seu travesseiro, virava-se de costa, de bruços, de lado... e dale conversa! Não conseguia parar de pensar. Precisava mudar seu caminho.

Josués, Marias e Vanessas, cada um em sua dor, em sua subjetividade tão complexa quanto o viver. Provocadores e provocados de alvos distintos sem os arcos e as flechas que os miram. Completos em seus antagônicos modos de viver, sobreviver. Incoerentes. Coerentes. Contraditórios. Flexíveis. Inflexíveis. Humanos. Marcadamente humanos. Falíveis.

Miram-se e não se olham. Indigentes presenciais, experts virtuais. Não quer mais? Delete-se e esqueça. São 5 mil amigos no Facebook, mais incontáveis e substituíveis tantos outros no WhatsApp e no Instagram. Nem sentiram falta do Pedro. Batiam papo com Pedro. Riram tantas vezes juntos. Só alegria. Claro. Tristeza não cabe nesses lugares e se alguém está triste que se delete, porque ninguém tem nada com isso. Ninguém é capaz de se colocar no lugar do outro, portanto, não sabe sua dor. Pedro sumiu. Ninguém sentiu sua falta. Vieram outros Pedros. Pedro morreu.  

E Josués, Marias e Vanessas continuam, porque “vida que segue”.
  
Susana Alamy
Psicóloga Clínica e Hospitalar, Psicoterapeuta


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