domingo, 11 de novembro de 2018

A morte de um animal de estimação dói igual à de um familiar


A morte de um animal de estimação dói igual à de um familiar



Uma psicóloga de Rondônia escreveu no facebook a respeito desta matéria - “A Morte De Um Animal Doi Igual À De Um Familiar” (https://www.planetadosanimais.org/2018/10/a-morte-de-um-animal-de-estimacao-doi.html)- :

"não creio numa imbecilidade dessas!" (sic).

Aí fiquei pensando... será que mais psicólogos pensam igual a ela?

Então resolvi escrever esclarecendo que dentro da psicologia existe uma matéria essencial ao nosso trabalho, que talvez ela tenha faltado às aulas, que se chama LUTO NÃO RECONHECIDO. Neste trabalhamos os lutos que fogem aos padrões de perdas mais comumente aceitos desde sempre. E nosso trabalho é o de ajudar aos pacientes na elaboração dos mesmos.

O luto não reconhecido pode levar ao adoecimento, porque a sociedade pode desaprová-lo, desprezá-lo e negá-lo em sua existência.

São exemplos de lutos não reconhecidos: luto por animais, luto pela “amante”, luto pela perda de um feto, e assim todos aqueles lutos que as pessoas guardam para si, porque seriam reprovadas ou julgadas ou desprezadas em seu afeto.

Qualquer dúvida podem me chamar, estarei à disposição para atender a quem tem essa demanda e não sabe onde encontrar o apoio e o respeito devidos. @Susana Alamy @Psicóloga Susana Alamy

Susana Alamy
Psicoterapeuta, Docente Livre
psicologiahospitalar.net.br


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terça-feira, 28 de agosto de 2018

Videoconferência


POR QUE PARTICIPAR DE UMA VIDEOCONFERÊNCIA?



Uma videoconferência permite que nos conectemos de qualquer lugar do mundo. É possível ajustarmos os horários e nos falar em tempo real, o que nos facilita a conexão para cursos, grupos de estudos, palestras, mentorias, consultorias, supervisão. 


Confesso que resisti durante algum tempo, pois há 30 anos vinha ministrando cursos, grupos de estudos, palestras, mentorias, consultorias e supervisão presencialmente. O que dificultava muito a participação de interessados que estavam distantes fisicamente e que tinham dificuldades para viajar até o local do evento.

A demanda pelo aprendizado sempre crescendo e as dificuldades para se deslocarem também. Assim, resolvi ariscar-me no mundo virtual. Na verdade eu já tinha a supervisão online e uma revista virtual, a "Psicópio: revista virtual de psicologia hospitalar e da saúde", há muitos anos (desde 2000), e sabia que cursos, grupos de estudos, palestras, mentorias, consultorias e supervisão seriam um sucesso desde sua implantação. Mas eu tinha um pouco de medo, medo de que a comunicação ficasse prejudicada, que as minhas palestras não fossem tão boas quanto as presenciais e que os alunos também resistissem. No entanto, venci o medo e resolvi que teria que tentar, teria que correr o risco. E tudo foi um sucesso! 

Já temos implantados online cursos, grupos de estudos, palestras, mentorias, consultorias e supervisão e vamos que vamos facilitando a conexão e o aprendizado!! Dê uma volta no meu site e vejam o que estou oferecendo: http://psicologiahospitalar.net.br/

Sejam todos muito bem-vindos à videoconferência!! A sala de aula/reunião no conforto de sua casa!!

Susana Alamy
Psicoterapeuta, Docente Livre
psicologiahospitalar.net.br

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quarta-feira, 4 de julho de 2018

Videoconferência - cursos online post 1

Os cursos mais requisitados de psicologia hospitalar agora também por videoconferência!!

Você pode caminhar pelo mundo sem sair de casa e fazer os melhores cursos do conforto de sua casa com a psicóloga e professora Susana Alamy através de videoconferência.


Não resisto e preciso contar a todos vocês que o Grupo de Estudos em Psicologia Hospitalar por Videoconferência que começou nesta semana foi sensacional!!! É meu 3o. evento totalmente por videoconferência e com interação entre os presentes.

Eu sempre me empolgo em cada turma, seja presencial ou online, porque realmente é muito bom!! Quem conhece e já participou de algum deles comigo, sabe que é bem por aí... muito bom mesmo!! Por isso as pessoas voltam e fazem vários cursos comigo. São mais de 30 anos de estudos e experiências que compartilho com os alunos e isso é maravilhoso!! 

A experiência neste tipo de estudo, por videoconferência, me surpreendeu, é indescritível e muito rica, sem contar que você tem acesso ao conhecimento de onde você estiver, sem se deslocar, sem gastar tempo. E ainda tem o network que é muito rico. Vale a pena conferir!!! 

Já temos a demanda para as próximas turmas e já planejo as datas para os eventos abaixo:

- Grupo de estudos de psicologia hospitalar - temas 1
- Grupo de estudos de psicologia hospitalar - temas 2
- Atendimento psicológico domiciliar
- Cuidados paliativos e más notícias
- Suicídio assistido e doenças incapacitantes
- Psicossomática atual

E teremos muitos outros, fique atento para não perder nenhuma nova informação. Se preferir mande uma mensagem para o e-mail psicologiahospitalar@gmail.com dizendo do seu interesse em participar de determinados eventos, citando cada um deles, ou até mesmo sugerindo temas que você gostaria de estudar. Desta maneira quando abrirmos a turma você será o primeiro a ser comunicado.

É isso aí.. paz e bem!! O que tenho a dizer é "gratidão"!!! Que possamos nos encontrar muitas vezes.

O meu abraço afetuoso,

Susana Alamy
Psicologa Clínica e Hospitalar
Psicoterapeuta, Docente Livre


quinta-feira, 17 de maio de 2018

Será que o ser humano é mesmo um ser superior aos animais?


SERÁ QUE O SER HUMANO É MESMO 
UM SER SUPERIOR AOS ANIMAIS?


Já ouvi diversas vezes que o ser humano é superior aos animais e que estes são seres inferiores. Aí fiquei pensando... Em que seriam superiores?

Na materialidade?

Os seres humanos constroem edifícios, pontes, estradas, foguetes, automóveis, cidades e uma infinidade de concretos, que eles mesmos destroem com bombas que constroem para esta finalidade.

Os animais constroem ninhos, cavam buracos, transformam grutas, que eles mesmos conservam para sua sobrevivência e de sua espécie.

Nos relacionamentos?

Os seres humanos constroem relacionamentos autênticos, verdadeiros e fiéis, mas também relacionamentos baseados em interesses próprios para tirarem vantagem. Matam-se por orgulho, vaidade e ganância.

Os animais simplesmente se ligam a outros seres (humanos e não humanos), são autênticos, verdadeiros e fiéis, e só se matam por sobrevivência, com raras exceções.

Nos sentimentos?

Os seres humanos sentem amor e ódio, raiva e rancor, inveja, compaixão, solidariedade, medo, revolta e tantos outros sentimentos.

Os animais sentem amor, não sentem ódio, não sentem raiva e nem rancor, não têm inveja, têm compaixão e são solidários, têm medo, jamais revolta.

Na linguagem?

A linguagem dos seres humanos perpassa a palavra e o não dito, ganha forma no inconsciente e se traduz em símbolos a serem decodificados.

A linguagem dos animais perpassa e repassa no coração, ganha forma no olhar carinhoso ou amedrontado e é decodificada no amor.

E assim uma infinita lista poderia ter sua parte escrita aqui, numa vã tentativa de igualá-los, quando na verdade são inigualáveis.

Jamais os animais terão necessidade de se auto afirmarem inferiorizando o ser humano, mesmo que o sinta como carrasco, aquele que é capaz de maltratá-lo, de judiar, de usá-lo sexualmente (zoofilia). Alguém já ouviu falar em humanofilia? Mesmo que o ser humano o abandone às ruas quando está doente, ou quando não passou de um brinquedo que se descarta, ou que seja espancado porque utilizou de sua “fala” (latido, miado, gruindo e etc.) para se expressar. Ou quando teve suas unhas, parte de seu corpo insubstituível, arrancadas para não estruir o bem material substituível chamado sofá. Ou o rabo cortado, parte de seu corpo, porque o humano acha mais bonito cortado (questão de gosto ou mau gosto?). Ou quando teve seus olhos furados, parte de seu corpo, por maldade e covardia, (caráter) do ser humano. Ou quando ficou amarrado no fundo do quintal, sozinho, com frio e com fome, porque não foi visto como um ser que sente e sofre, mas como uma arma contra invasores daquele terreno. Ou quando foi espancado, jogado, arremessado contra muros, automóveis e chão pelo ser superior em força bruta, porque este estava irritado e descontrolado. Ou quando foi deixado para trás em uma mudança, porque no novo lar não o cabia. Ou quando foi adquirido para ser matriz de investimentos altos do humano, em venda de seus filhotes arrancados sem compaixão da mãezinha que os amamentava, para serem vendidos no comércio por aquele ser inteligente, o suficiente, capaz de fazê-lo e tratá-lo como matéria-prima. Ou quando foi deixado na chuva dentro de uma sacola plástica amarrada, porque não era querido no espaço que ocupava antes. Ou quando foi cruelmente usado como transporte de cargas até cair ao chão por exaustão, porque era só um meio de poupar o esforço do humano. Ou quando foi proibido de entrar em restaurantes, onde na cozinha se encontram coliformes fecais nas mãos dos cozinheiros, para não contaminarem os alimentos. Ou quando ainda foram reverenciados com o rótulo de terem a nobre função de se tornarem churrascos, para matar a vontade de carne de humanos carnívoros... Nunca perderam o olhar terno dirigido ao seu opressor.

E são eles os seres inferiores? Justo eles que só nos trazem alegrias ao coração e cor aos nossos olhos? Que são companhias fiéis e guardiães de nossos sonos? Que nos recebem felizes por termos retornado e adoecem, e morrem, quando não nos veem mais?

Justo eles que são capazes de se jogar na frente de seu humano amado para defendê-lo de um bandido ou de uma ameaça?

Justo eles que têm o amor mais genuíno?

Talvez o conceito de superioridade devesse ser revisto quanto aos critérios cognitivos das funções cerebrais para dar lugar aos critérios sentimentais das mesmas funções cerebrais.

É isso.

O meu abraço mais fraterno a todos os seres “inferiores” da cadeia existencial.

Susana Alamy
Psicóloga Clínica e Hospitalar,
Psicoterapeuta, Docente Livre

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quinta-feira, 22 de março de 2018

A dor é individual


A DOR É INDIVIDUAL




... E eu fiquei pensando sobre esse mundo em que vivemos... Tumultuado, corrido, sem tempo. Rostos estranhos se entrecruzando nas ruas, nos shoppings, aeroportos, sem se verem, sem serem, mesmo que remotamente, comparados a outros rostos semelhantes.

Quantas lágrimas há derramado o senhor Josué que vai ali na minha frente e que nem mesmo pude observar-lhe os gestos? Quanta dor sentiu Maria quando perdeu alguém que lhe era esteio e alegria? E a Vanessa? E ali se vão Josués, Marias e Vanessas... Ah! Josués, Marias e Vanessas!!

Quem é Josué? Homem de fibra, trabalhador, prestativo, honesto e querido. Construiu histórias, demonstrou seus valores com seus próprios exemplos, ajudou quem precisava e brigou. Brigou pelos seus objetivos, pelo mundo, um mundo melhor. Josué queria um mundo melhor. Ah! Josué!! Estava rodeado de gente que veio apoiar-lhe, estender-lhe o abraço puxado por aquelas mãos que jamais empurraram. Estavam todos ali, um de cada vez a prestar-lhe a solidariedade que tanto queremos quando algo ruim nos acontece. E Josué, comovido, retribuía cada carinho.

Maria sentia dor. Não conseguia precisar se era uma dor física ou uma dor emocional. Tamanha era sua dor que as dores se embaralhavam neste ser único e indivisível chamado Maria. Recolhia-se ao seu pranto como quem se recolhe ao adormecer: sozinha, partida, calada. Lembrou-se de cada minuto. Recordou-se de cada um que a abraçara na tentativa de salvar-lhe, ao menos um pouco, de sua dor doída. Sentiu cada cheiro que translúcido a reportava ao passado.

E Vanessa? Vanessa assistia televisão. Ria e chorava do que ali assistia, projetando-se em cada personagem fictício que traz à tona cada um de nós, como se o autor da obra tivesse se espelhado nela. Reconhecia-se a partir do cenário e viajava de uma ponta a outra na estrada da fantasia. Seus sonhos estavam ali... partidos e reinventados por alguém tão estranho e tão familiar.

E eu fiquei pensando... Cada uma daquelas milhares de pessoas pelas quais passamos diariamente, seja na rua, seja nas redes sociais ou em qualquer lugar, carrega uma história que determinou seu modo de agir e de ser meio a tantas outras histórias.

Ah! E aquele Josué brigão? Aquele que se levanta da cama disposto a discutir até mesmo com sua própria imagem refletida no espelho. Aquele Josué chato, dos grupos de WhatsApp, que só clica para gerar polêmica ou discordar do que seja? Postaram. Comentou, Josué. Fala qualquer merda e não se importa nem com o que fala e nem com o que retrucam. Quer mesmo falar e nem precisa ser escutado, porque a escuta que precisa é a de si mesmo, mas para esta não está preparado. E essa, minha gente, como é difícil!! Sente-se muito feliz por ver que retrucam, sente-se importante, pois pelo menos alguém está falando com ele. Buzina na rua, xinga o trocador do ônibus, fecha cara para a atendente da padaria e desafia qualquer pessoa que esteja em condição supostamente melhor que a sua. Respeito? Jamais. Desconhece o que seja respeito. Nunca ouviu falar. Jamais seus pais lhe disseram que era para se colocar no lugar do outro para saber o que deveria ou não lhe dizer. Não aprendeu o que é compaixão. Não se importa com ninguém, pois aprendeu em todas as mídias, e, diga-se de passagem, que, em casa também, que deve se amar em primeiro lugar, que ele é o príncipe da titia e da vovó, que reina diante do papai e da mamãe que se mataram para sustentá-lo. Ele entendeu ao pé da letra que deve se amar em primeiro lugar. Não foi capaz de perceber a metáfora. Não foi capaz de compreender a importância do outro sem o qual jamais se reconheceria enquanto Josué. Ah! Josué!!

E a Maria que saiu cedo de casa? Levantou-se às 5 horas da manhã, tomou um gole de café. Vestiu-se e saiu. Pegou o ônibus, depois o metrô. E ainda faria uma pequena caminhada até o local de trabalho. Encontrou um Josué à sua frente. Não entendeu nada, mas ficou chateada. Foi empurrada e xingada quando saía do metrô, por alguém que jamais viu. Não respondeu e Josué continuou andando e olhando para trás em tom desafiador. Queria brigar. Maria estava errada a seus olhos, não deveria ter saído antes dele do metrô, porque ele estava com pressa. E ela tinha que adivinhar. Ela tinha que ter percebido de alguma maneira que ele era muito mais importante do que ela. Assim pensava ele empoderado, seguro de si, amando-se em primeiro lugar. Tão obcecado por si mesmo que jamais conseguiu assumir qualquer responsabilidade pelos seus atos. A responsabilidade era do outro. Sempre do outro. Responsabilidade carregada de culpa do outro. Porque entendia que seus atos eram sempre uma resposta ao outro e nunca o inverso. Falava mal das pessoas, julgava e condenava. Era o carrasco. Carrasco de si mesmo condenando-se a um vazio crescente que desembocava em uma solidão jamais percebida. E esperneava querendo chamar a atenção.

Vanessa seguia seu caminho. Sempre simpática e alegre. Sofrida de pai e mãe mercadores de sonhos, precisava se haver com o mundo real. Dava golpes na sua própria imaginação que tentava seduzi-la. À noite conversava com seu travesseiro, virava-se de costa, de bruços, de lado... e dale conversa! Não conseguia parar de pensar. Precisava mudar seu caminho.

Josués, Marias e Vanessas, cada um em sua dor, em sua subjetividade tão complexa quanto o viver. Provocadores e provocados de alvos distintos sem os arcos e as flechas que os miram. Completos em seus antagônicos modos de viver, sobreviver. Incoerentes. Coerentes. Contraditórios. Flexíveis. Inflexíveis. Humanos. Marcadamente humanos. Falíveis.

Miram-se e não se olham. Indigentes presenciais, experts virtuais. Não quer mais? Delete-se e esqueça. São 5 mil amigos no Facebook, mais incontáveis e substituíveis tantos outros no WhatsApp e no Instagram. Nem sentiram falta do Pedro. Batiam papo com Pedro. Riram tantas vezes juntos. Só alegria. Claro. Tristeza não cabe nesses lugares e se alguém está triste que se delete, porque ninguém tem nada com isso. Ninguém é capaz de se colocar no lugar do outro, portanto, não sabe sua dor. Pedro sumiu. Ninguém sentiu sua falta. Vieram outros Pedros. Pedro morreu.  

E Josués, Marias e Vanessas continuam, porque “vida que segue”.
  
Susana Alamy
Psicóloga Clínica e Hospitalar, Psicoterapeuta


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