segunda-feira, 24 de abril de 2017

Enfim, formada!

ENFIM, FORMADA!


Vejo meus alunos se formando e não tem como isso não me remeter ao dia em que fui ao CRP (Conselho Regional de Psicologia) requerer minha carteira profissional. Eu estava emocionada, muito feliz. Enfim, psicóloga. Sim. Psicóloga. Muito orgulho para mim: estar em uma profissão tão linda, rica em conhecimentos e que me permitia ver as pessoas pelo seu melhor lado, o lado do avesso. Saí de lá com meu número anotado em um pedaço de papel e na esquina já mandei fazer meu carimbo. Agora eu seria profissional, com carimbo e tudo. Pela carteira eu deveria esperar alguns poucos dias. O que para mim pareceram uma eternidade.

Momento único o dia em que voltei para pegar a minha carteira. Eu estava tão feliz que não podia me conter. Comemorava ali os esforços que tinham valido a pena, as noites sem dormir, os finais de semana sacrificados por todo o período da faculdade e sem problema algum, os horários de almoço engolidos pela aula que eu queria assistir até o fim e que já se esbarrava em meu apertado horário de trabalho. Gostava dos livros como meus companheiros e não os deixava nem nas férias escolares.

Ah! Teve outro momento único também na psicologia: o dia em que minha mãe me deu de presente a coleção de Freud. 24 volumes. Novinhos. Lindos!! Eu mal podia esperar para ler todos. Fiquei encantada com a coleção e ela me acompanha até hoje. Tem lugar de destaque na minha estante e se completa com um “Freudzinho” que ganhei de uma aluna.

Ah! Mas teve também aquele primeiro atendimento, no ambulatório da faculdade, à noite. Uma paciente que esperava há meses na lista para ser atendida e que os colegas não escolhiam, porque sua demanda estava relacionada a seu intenso medo de morrer. Prostituta. Casada. Mãe de um filho. Marido ciumento. Tinha se tornado do lar. Sentia falta do seu trabalho. E lá fui eu, munida de uma prancheta, papel e lápis, e de uma satisfação sem medida. Não poderia deixar passar nenhuma palavra de sua fala e tinha medo de me esquecer. Precisaria analisar meu próprio atendimento junto aos livros e ao meu supervisor, por quem eu nutria uma intensa admiração. Então eu anotava tudo o que ela falava. Ela pacientemente me esperava anotar para dar seguimento à sua fala. Até o dia que me pediu, com muita educação e melindre, que eu deixasse minha prancheta de lado, explicando-me que se sentia um pouco constrangida de eu anotar. Nunca mais tive uma prancheta em atendimento. Daí para frente descobri que minha atenção era completa na fala da paciente e não havia motivo para anotar tudo na frente dela. Passei a fazer meus apontamentos logo depois do atendimento e o relatório ao chegar em casa. Deixava-o dormir e no dia seguinte fazia minha análise das minhas pontuações para levar todo esse rico material à supervisão. Eu queria muito acertar no meu atendimento.

Ah! Mas teve também aquele dia em que comecei a trabalhar, que foi antes mesmo da minha formatura... Primeiro os grandes queimados, onde minha chefe era uma psiquiatra, que me dava supervisão com jornadas de fantasias e discussões de casos. E logo na sequência, em outro hospital, as crianças oncológicas, na sua maioria, terminais. E vieram os pacientes adultos da oncologia, da neurologia, da clínica geral... Cada dia mais pacientes e mais livros e mais relatórios. Neste momento eu comecei a dar supervisão de estágio e passei a escrever textos para ajudar meus estagiários. Daí surgiu meu livro “Ensaios de Psicologia Hospitalar: a ausculta da alma”. Ensaios porque o conhecimento é sempre inacabado e não se encerra em si mesmo, sendo aperfeiçoado ao longo da vida. Mas isso é assunto para outro momento. Agora estou falando da minha carteira de psicóloga. (risos).

É uma emoção que ainda posso sentir, que revivo com cada um dos meus queridos alunos, uma paixão desmedida pela psicologia que já dura 30 anos. E que é renovada a cada instante, em cada paciente, em cada texto, em cada teoria.

Profissão? Psicóloga.

Susana Alamy
Psicóloga Clínica e Hospitalar,
Psicoterapeuta, Docente Livre
psicologiahospitalar.net.br

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sexta-feira, 21 de abril de 2017

Asfixia e Baleia Azul

ASFIXIA E BALEIA AZUL

O que fazer por nossos adolescentes?


Asfixia e baleia azul são dois “jogos” que viralizaram na internet nos últimos meses, levando adolescentes à morte.

No jogo da asfixia o adolescente provoca a interrupção da oxigenação no cérebro através do estrangulamento (apertando seu próprio pescoço) ou hipocapnia (através da respiração profunda ou rápida). Assim procedendo acredita que alcançará um estado de consciência alterado que provoca sensações divertidas de desmaio ou experiência quase-morte.

No jogo da baleia azul o adolescente deverá cumprir 50 desafios, sendo que o último deles é sua própria morte. Uma vez iniciado o jogo o adolescente não poderá sair dele. São os desafios, segundo Jornal da Ciência (1):

1. Com uma navalha, escreva a sigla “F57” na palma da mão e em seguida envie uma foto para o curador.
2. Assista filmes de terror e psicodélicos às 4:20 da manhã, mas não pode ser qualquer filme, o curador indicará, lembrando que ele fará perguntas sobre as cenas, pois ele quer saber se você realmente assistiu.
3. Corte seu braço com uma lâmina, “3 cortes grandes”, mas é preciso ser sobre as veias e o corte não precisa ser muito profundo, envie a foto para o curador, e seguirá para o próximo nível.
4. Desenhe uma baleia azul e envie a foto para o curador.
5. Se você está pronto para se tornar uma baleia, escreva “SIM” em sua perna. Se não, corte-se muitas vezes. “Castigue-se”.
6. Tarefa em código.
7. Escreva “F40” em sua mão. Envie uma foto ao curador.
8. Em sua rede social escreva “#l_am_whale” no seu status do VKontakte (Rede Social Russa) ou no Facebook. O texto significa “Eu sou uma Baleia”.
9. Ele te dará uma missão baseada no seu maior medo, ele quer fazer você superar esse medo.
10. Acorde às 4:20 da manhã e suba em um telhado, quanto mais alto melhor.
11. Desenhe uma foto de uma baleia azul na mão com uma navalha e envie a foto para o curador.
12. Assista filmes de terror e psicodélicos todas as tardes.
13. Ouça as músicas que os “curadores” te enviarem.
14. Corte seu lábio.
15. Fure sua mão com uma agulha muitas vezes.
16. Faça algo doloroso, “machuque-se”, fique doente.
17. Procure o telhado mais alto e fique na borda por algum tempo.
18. Suba em uma ponte e sente-se na borda por algum tempo.
19. Suba em um guindaste ou pelo menos tente.
20. No próximo passo o curador irá verificar se você é de confiança.
21. Encontre outra baleia azul, “outro participante”, o curador te indicará.
22. Pendure-se novamente em um telhado alto e apoie-se na borda com as pernas penduradas.
23. Outra tarefa em código.
24. Tarefa secreta.
25. Reunião com uma baleia azul que o curador indicará.
26. O curador indicará a data da sua morte e você aceitará.
27. Acorde às 4:20 e vá a uma estrada de ferro.
28. Não fale com ninguém o dia todo.
29. Fazer um voto de que você é realmente uma Baleia Azul.
30-49. Todos os dias você deve acordar às 4:20 da manhã, assistir a vídeos de terror, ouvir música que “eles” lhe enviarem, fazer 1 corte em seu corpo por dia, falar “com uma baleia”. Durante o intervalo dos desafios entre 30 e 49.

50. Tire sua própria vida.

Diante da situação temerosa destes “jogos” é importante ressaltar a necessidade de avaliar com cautela o que leva os adolescentes a este extremo.

Não são os jogos em si os responsáveis pelo suicídio, mas a ponta do iceberg. Temos que considerar a estrutura do adolescente, vulnerável, frágil, seu sentimento de não pertencimento, de ser incompreendido e com tendência à depressão.

Tratar o assunto de maneira simplista é fechar os olhos para um grande problema: o da taxa crescente de suicídios entre crianças e adolescentes. Segundo a Organização Mundial de Saúde (2012) o suicídio é a segunda causa de mortes entre adolescentes de 15 a 29 anos no mundo, principalmente em países de baixa e média rendas. E as tentativas ainda muito mais numerosas. (2)

A adolescência é uma fase de transição da infância para a maturidade, trazendo consigo angústias e inseguranças, bem como a necessidade de aprovação e aceitação pelos grupos nos quais os adolescentes estão inseridos.

É o primeiro momento de grandes inseguranças, quando seu corpo físico começa a sofrer transformações e não se sabe o que lhe acontecerá. Ser aceito é fundamental para que se sinta seguro e amado, mesmo que sua autoestima esteja baixa.

O que podemos fazer por estes adolescentes tão vulneráveis?

Escutar o adolescente além do que ele está falando, observando suas reações frente ao mundo, seus sentimentos e seu comportamento. Possibilitar-lhe se expressar sem julgá-lo e/ou condená-lo, oferecendo-lhe um espaço emocional capaz de ajudá-lo a superar seus medos.

Aos pais a tarefa de ampará-los emocionalmente, possibilitando a eles um ambiente onde possa ser ele mesmo com todo o antagonismo que possa carregar em si, mas com limite e respeito, com liberdade, mas sem libertinagem. O adolescente sem limite entenderá inconscientemente que não se importam com ele, por isso não o limitam em nada. Deverão monitorar a internet, verem as redes sociais dos filhos, observarem de perto seu comportamento.

Às escolas um olhar mais atendo às mudanças de comportamento de seus alunos, seja na passividade ou na agressividade, nas vestimentas de mangas cumpridas inadequadas ao clima. Abrir um espaço de discussão e aprendizado sobre o suicídio, mostrando quando a ajuda profissional é fundamental.

É muito importante observarem os sinais emocionais que estes adolescentes emitem antes de chegarem ao extremo de suicidarem-se. São os mais comuns: isolamento, desatenção, desinteresse, apatia ou agressividade, tristeza, sentimento de desaprovação de suas condutas, medos, falta de sentido da vida. Bem como observar os sinais físicos deixados pelo cumprimento dos desafios do jogo: ferimentos nas palmas das mãos, nos braços e nos lábios, no corpo e modo geral. Comportamentos estranhos de sair de casa de madrugada, de assistir filmes que provocam medo, silêncio prolongado.

Uma maneira de se obter ajuda é entrar em contato com o CVV (Centro de Valorização da Vida) através do número 141. E outra é a psicoterapia, que poderá ajudar o adolescente a compreender o que se passa com ele, possibilitando-lhe maior autoconhecimento e automaticamente uma maior autonomia sobre seus sentimentos e comportamentos.  A terapia auxilia também os pais e poderá ser procurada a qualquer momento.

Susana Alamy
Psicóloga Clínica e Hospitalar, 
Psicoterapeuta, Docente Livre
psicologiahospitalar.net.br


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domingo, 9 de abril de 2017

Atendimento psicológico domiciliar

ATENDIMENTO PSICOLÓGICO DOMICILIAR


“Um dos grandes recursos que temos para tratar nossos pacientes é o amor. 
Devemos dedicar-nos a tratá-los com carinho, atenção e respeito e assim 
veremos grandes resultados”. (Susana Alamy, 2013)

O atendimento psicológico domiciliar é uma nova área de atuação que se abre para os psicólogos e que oportuniza aos pacientes e familiares serem assistidos também no emocional, uma vez que o adoecimento pode provocar alterações no humor, quadros de ansiedade, baixa autoestima, estresse, sentimentos de frustração, inadequação, quadros depressivos, exigindo, assim, uma adaptação do paciente e de toda sua família no enfrentamento da nova situação. É importante lembrar que o paciente não adoece sozinho, a família adoece junto.

Esse novo espaço de trabalho traz consigo algumas alterações no modelo de consultório, pois o profissional se desloca até o domicílio do paciente. O que impõe aos profissionais que lidem também com os familiares e cuidadores, ampliando assim o modelo de consulta até então existente.

O atendimento psicológico domiciliar pode estar integrado a uma equipe multiprofissional estruturada por uma empresa de home care ou pode ser realizado de maneira autônoma pelo psicólogo.

Quando o psicólogo integra a equipe multiprofissional ele deve participar das decisões em relação ao tratamento do paciente trazendo sua subjetividade para as discussões, onde esta se refere ao mundo íntimo da pessoa, preservando o que é da ordem do sigilo profissional do psicólogo.

Nesta modalidade de atendimento uma das razões para que seja feito em domicílio é a impossibilidade do paciente de se dirigir até os consultórios e/ou ambulatórios. Assim, é direcionado para pessoas de todas as idades, por exemplo, com doenças agudas ou crônicas, com deficiências físicas ou não, pacientes terminais.

A família deve ser inserida no atendimento, sendo respeitada nos seus valores e crenças, na sua dinâmica própria, no seu espaço de referência, sendo orientada e esclarecida sobre sua importância no tratamento do paciente.

O cuidador também deve ser orientado e acolhido, uma vez que sobre ele há uma sobrecarga emocional e de trabalho. Ele tem sentimentos e se vincula ao paciente, o que pode muitas vezes levá-lo a um quadro depressivo quando da piora do quadro clínico, da internação hospitalar ou da morte do paciente. Sentimentos de incapacidade muitas vezes aparecem, principalmente quando não conseguem que seus pacientes se alimentem, tomem líquidos e tenham uma melhor qualidade de vida.

Cabe ao psicólogo ser educado ao entrar no espaço do outro, utilizando de termos como “com licença” e “obrigado”, lidar sem ansiedade com os inconvenientes que surgem durante o atendimento domiciliar, conhecer as patologias, compreender os efeitos colaterais dos medicamentos, considerar sempre a particularidade de cada atendimento, de cada patologia, de cada família. Também faz parte de sua atribuição fazer avaliação psicológica do paciente, do cuidador e dos familiares, traçar seu plano terapêutico, e estudar muito e muito.

Assim, podemos definir atendimento psicológico domiciliar como o “atendimento prestado em domicílio, por equipe de saúde, com a finalidade de melhorar a qualidade de vida do paciente que possa ser desospitalizado, ajudando-o em suas dificuldades decorrentes da patologia, com o objetivo de restauração das funções não prejudicadas pela doença, de prevenção de outras que possam ser desencadeadas e do tratamento das sequelas ou do caminho natural da patologia, além de orientações aos familiares e/ou cuidadores”. (Susana Alamy, 2013).

Susana Alamy
Psicóloga Clínica e Hospitalar
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Dia 24/06/2017 teremos mais uma turma para o curso sobre atendimento psicológico domiciliar. Dê uma olhadinha no site e venha participar. http://www.psicologiahospitalar.net.br/atendimentodomiciliar2017.html

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sábado, 1 de abril de 2017

10 coisas que você precisa saber sobre Psicologia Hospitalar

10 COISAS QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE

PSICOLOGIA HOSPITALAR


1. Psicologia hospitalar não é psicologia clínica. São práticas diferentes.
2. Atende aos pacientes que estejam doentes e/ou internados.
3. Atende aos familiares dos pacientes doentes.
4. Prepara psicologicamente pacientes para cirurgias.
5. Acompanha psicologicamente pacientes terminais.
6. Trabalha questões relacionadas ao luto.
7. Integra equipes interdisciplinares.
8. Trabalha fatores inconscientes que interferem na melhora clínica do paciente.
9. Seu trabalho é protegido por sigilo profissional.
10. Acolhe todas as linhas da psicologia.

Susana Alamy
Psicóloga Clínica e Hospitalar
psicologiahospitalar.net.br


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